Relação com o governo em 2023 foi técnica, diz Campos Neto


Presidente do BC fez elogios a Haddad, disse que a relação com o ministro da Fazenda evoluiu e defendeu deficit zero

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou nesta 5ª feira (21.dez.2023) que manteve uma relação “técnica” com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. O economista fez elogios ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e disse que sua relação com o petista evoluiu em 2023. 

“Tivemos o 1º teste da autonomia, um teste em que aprendemos de todos os lados”, disse Campos Neto. “O convívio se mostrou muito técnico. Ao longo do tempo, cada vez, o governo foi vendo o quão técnico o trabalho do BC era e o quão o BC estava disposto a ajudar para fazer o crescimento do Brasil da forma mais estável possível. Tentamos ajudar sempre”, afirmou.

Campos Neto comanda o BC desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com a autonomia da autoridade monetária, sancionada em 2021, ele e os 8 diretores têm mandatos de 4 anos. O economista já disse que fica no cargo até o fim de seu mandato, em 31 de dezembro de 2024. Ele poderá ser reconduzido por mais 4 anos, mas disse ser contrário.

O Banco Central foi um dos principais alvos de críticas de Lula e aliados do governo em 2023. Até 27 de setembro, data da 1ª reunião entre o presidente da República e da autoridade monetária, Campos Neto havia sido criticado 113 vezes.

O economista falou sobre sua relação com Lula em entrevista a jornalistas sobre o último relatório trimestral de inflação, divulgado nesta 5ª feira (21.dez). Ele voltou a dizer que é “importante” perseguir a meta de deficit zero nas contas do governo em 2024.

“É importante perseguir a meta. Entendemos que tiveram fatores novos, há dificuldades de aprovar as medidas na íntegra, mas o governo tem feito um esforço grande. Estava com o ministro Haddad ontem e parabenizei ele. Foi um esforço muito grande para aprovar a MP [medida provisória] 1185. Tem que reconhecer o esforço”, disse o presidente da autoridade monetária.

Campos Neto se referiu à medida provisória que altera as regras de tributação da subvenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) concedidas por Estados. O Senado aprovou o projeto na 4ª feira (20.dez). A proposta é a principal prioridade de Lula e Haddad na reta final das votações no Legislativo. Segue agora para a sanção presidencial.

O presidente do BC não quis se estender sobre o compromisso fiscal: “Não fazemos projeção sobre o fiscal, não fazemos análise de qual é a melhor forma do governo se comportar em termos de fiscal. O que é importante para gente é a forma como isso afeta nosso trabalho. Temos dito que não é mecânico, mas se tiver a deterioração do fiscal em algum momento impacta as expetativas de inflação e faz com que o trabalho do BC seja mais difícil”, disse.

Selic 

Neto também sinalizou novos cortes na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,75% ao ano. “Neste momento a gente entende que a linguagem do Copom [Comitê de Política Monetária] não é amarrada. Entendemos que sinalizar que o ritmo é apropriado e usar a expressão ‘nas próximas duas reuniões’ é um horizonte relevante e compatível com as incertezas”, disse.

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